Músicos que desejam fixar uma peça na memória devem começar a testar a recordação desde a primeira sessão de estudo, em vez de esperar até que a música pareça segura. Pesquisas sobre aprendizagem e memória sugerem que o autoteste precoce, mesmo quando parece incerto e propenso a erros, fortalece significativamente a retenção de longo prazo.
O Efeito do Teste no Laboratório
Um estudo de 2006 de Roediger e Karpicke examinou se os testes poderiam melhorar a aprendizagem, não apenas medi-la. Eles fizeram com que 180 estudantes de graduação lessem um texto curto e depois os dividiram em três grupos: um que estudou quatro vezes (SSSS), um que estudou três vezes e fez um teste de recordação (SSST) e um que estudou uma vez e fez três testes de recordação (STTT).
Metade dos participantes foi testada imediatamente após a sessão final. O grupo SSSS recordou 83% do material, o grupo SSST 78% e o grupo STTT 71%. A outra metade foi testada uma semana depois. Esses resultados se inverteram: o grupo STTT reteve 61%, o grupo SSST 56% e o grupo SSSS apenas 40%. O grupo que mais estudou teve o melhor desempenho imediato, mas o grupo que mais se testou reteve muito mais ao longo do tempo.
Autoteste Precoce na Prática Musical
Um estudo de 2002 da pesquisadora britânica Jane Ginsborg aplicou princípios semelhantes à memorização musical. Treze cantores com formação clássica foram convidados a memorizar uma canção de 90 segundos ao longo de duas semanas, usando seis sessões de estudo de 15 minutos, com no máximo uma sessão por dia.
A análise das sessões gravadas revelou uma divisão clara. Os memorizadores mais rápidos e precisos começaram a testar a memória logo na primeira sessão, tentando cantar pelo menos alguns compassos de memória. O autoteste deles aumentou ainda mais na segunda sessão. Em contraste, os memorizadores mais lentos evitaram cantar de memória no início e só começaram a fazer autotestes significativos na terceira sessão.
Os que testaram cedo cometeram mais erros de memória inicialmente, mas os corrigiram rapidamente, resultando em menos erros nas sessões posteriores. Os que testaram tarde evitaram erros no início ao confiar na partitura, mas tiveram problemas de memória crescentes quando começaram a testar mais tarde, culminando em muitos erros na sessão final.
Os resultados indicam que o autoteste precoce, mesmo quando parece incerto, fortalece a retenção de longo prazo, enquanto adiar a memorização até que a peça pareça segura pode prejudicar a confiabilidade da performance.