A música colombiana gerou mais de US$ 115 milhões em royalties no Spotify em 2025, um recorde que dobrou o valor de apenas quatro anos antes. O detalhe, e toda a história da distribuição, é de onde esse dinheiro veio.
De acordo com reportagem do Colombia One citando dados do Spotify, mais de 90% desses royalties foram pagos por ouvintes fora da Colômbia, liderados pelo restante da América Latina, Estados Unidos e Europa.
A Colômbia é uma economia de exportação que por acaso faz música
DSP significa Provedor de Serviços Digitais, as plataformas de streaming que pagam os artistas. A receita de DSP da Colômbia não é uma história de mercado interno. É uma linha de exportação.
A receita da música gravada do país atingiu cerca de US$ 105,2 milhões em 2025, um aumento de aproximadamente 17,9% em relação ao ano anterior, de acordo com o mesmo relatório do Colombia One. Isso superou a média regional.
A IFPI, Federação Internacional da Indústria Fonográfica, classificou a América Latina como a região de crescimento mais rápido em seu Relatório Global de Música 2026, com alta de 17,1% e agora no 16º ano consecutivo de crescimento. A Colômbia é um dos motores por trás desse número.
A escala do alcance aparece no Spotify Wrapped 2025. Como Forbes Colombia informou, cinco colombianos ficaram entre os 50 artistas mais ouvidos no mundo:
- Karol G em 25º
- Feid em 35º
- Beele em 36º
- J Balvin em 37º
- Shakira em 42º
A nova geração está crescendo mais rápido que o catálogo
Os nomes principais não são o único crescimento. Reggaeton, trap latino e fusão urbana estão conquistando públicos rapidamente.
- Blessd passou de cerca de 4 milhões de ouvintes mensais no Spotify em 2021 para mais de 26 milhões em 2025, segundo o Colombia One.
- Feid agora tem mais de 30 milhões de ouvintes mensais.
- Nanpa Basico ultrapassou 10 milhões de ouvintes mensais após ser destaque no Spotify RADAR, programa para artistas emergentes.
São carreiras com raízes em Medellín, de mentalidade independente, construídas sobre catálogos que viajam. Esse é exatamente o perfil em que as escolhas de distribuição decidem quanto dinheiro realmente chega à conta do artista.
Por que o urbano é um problema de divisão de royalties
Os hits urbanos são máquinas de colaboração. Uma única faixa geralmente tem um artista principal, um ou dois artistas convidados e vários produtores, cada um com direito a uma parte de cada stream.
Quando 90% do pagamento vem do exterior, em várias moedas, de dezenas de territórios, a contabilidade é o produto. Erre nas divisões e a maior linha de receita se torna a mais difícil de conciliar.
O que artistas e gravadoras independentes colombianos devem verificar
- Confirme se seu distribuidor entrega para todo o mapa de DSPs da América Latina e Europa, não apenas para as cinco principais plataformas globais.
- Exija pagamentos divididos por colaborador, para que artistas convidados e produtores sejam pagos na fonte, em vez de ter que cobrar depois.
- Acompanhe os royalties por território, pois os EUA e a Europa pagam taxas por stream diferentes das da Colômbia.
- Registre metadados de compositores e editoras de forma limpa, já que a receita de exportação vaza mais rápido onde os créditos são escassos.
A leitura da distribuição
A Colômbia comprova um ponto que as distribuidoras focadas em grandes gravadoras continuam subestimando. O valor não está em alcançar ouvintes colombianos. Está em arrecadar de forma limpa em todos os lugares por onde a música colombiana viaja.
Isso significa entrega nativa em DDEX, que é o padrão de metadados que os DSPs usam para ingerir lançamentos corretamente na primeira vez. Também significa divisões de royalties transparentes por colaborador, como as que a InterSpace Distribution opera, para que um disco de reggaeton cheio de participações pague sem uma guerra de planilhas.
Um artista de Medellín com 26 milhões de ouvintes mensais não é um artista local. Seu distribuidor não deveria tratá-lo como tal.