Sertanejo domina 10 das 15 faixas mais tocadas no Brasil. Quase nada desse dinheiro vem do exterior.

Sertanejo ocupa 10 das 15 primeiras posições no Spotify Brasil e lidera um top 50 que é 96% nacional, mas quase toda a receita vem de dentro do país. Por que o funk exporta e o sertanejo fica em casa, e o que um catálogo cheio de gravações ao vivo e múltiplos titulares precisa de um distribuidor.
Sertanejo Owns 10 of Brazil’s Top 15. Almost None of Its Money Comes From Abroad. Sertanejo Owns 10 of Brazil’s Top 15. Almost None of Its Money Comes From Abroad.

Sertanejo não viraliza no TikTok em Ohio. E não precisa. No chart diário do Spotify Brasil em 18 de julho de 2026, o sertanejo ocupava 10 das 15 faixas mais tocadas, com o funk levando as outras cinco, segundo o rastreador brasileiro do kworb. Jeninho, Zé Neto & Cristiano, Gusttavo Lima, Murilo Huff. Quase tudo gravado ao vivo, com o selo “Ao Vivo”.

Esse é o gênero que a maioria das distribuidoras globais interpreta mal, porque ele nunca chega à mesa delas vindo do exterior.

O chart que ninguém fora do Brasil vê

A Pro-Música, entidade que representa a indústria fonográfica brasileira, publicou em julho de 2026 um estudo com dados de seis plataformas: Spotify, YouTube, Deezer, Apple Music, Tidal e Amazon Music. O número principal é direto.

  • 96% das 50 faixas mais tocadas no Brasil são de artistas brasileiros. Apenas quatro do total eram estrangeiras, segundo os dados da Pro-Música.
  • Os hits internacionais já representaram cerca de 15% das paradas. Essa fatia desabou.
  • O sertanejo lidera com folga, com Gusttavo Lima, faixas póstumas de Marília Mendonça e Henrique e Juliano nas primeiras posições. Funk e pagode vêm em seguida.

Cerca de 75% de todas as streams do Spotify Brasil vão para artistas nacionais, informou o Portal Zona Franca. O Brasil é um mercado que ouve, sobretudo, a si mesmo.

Mesmo país, dois mapas de receita

É aqui que a coisa fica interessante para quem pensa de onde vem o dinheiro dos royalties.

O funk brasileiro foi o gênero de crescimento mais rápido no Spotify entre os que faturam acima de US$ 50 milhões em 2025, com alta de 36% ano a ano, à frente do K-pop e do reggaeton, informou o Music Ally com base na atualização do Loud & Clear. O funk viaja. Suas streams vêm cada vez mais de fora do Brasil.

O sertanejo faz o contrário. É maior que o funk dentro do país, mas quase nada da receita chega do exterior. A audiência, a execução em rádio, os shows em arena e as streams estão todos concentrados no Brasil e na diáspora de língua portuguesa.

Essa diferença importa, porque o bolo brasileiro cresceu rápido. Artistas brasileiros geraram cerca de R$ 2 bilhões no Spotify em 2025, alta de 24%, quase o dobro do crescimento do mercado geral, confirmou a newsroom do Spotify. O português foi o idioma de crescimento mais rápido acima de US$ 100 milhões, com alta de 26% em um ano.

Por que um catálogo sertanejo quebra uma distribuidora genérica

DSP significa prestador de serviços digitais, a própria plataforma de streaming. A maioria das distribuidoras otimiza para um único caminho: a curadoria de playlists do Spotify nos EUA e no Reino Unido. Um lançamento sertanejo não se encaixa nesse script, por três motivos.

  • O formato é ao vivo. A gravação “Ao Vivo” é a versão comercial, não o corte de estúdio. Uma mesma canção é entregue como várias gravações registradas, cada uma exigindo seu próprio ISRC e metadados limpos.
  • A estrutura de duplas. O sertanejo funciona em duplas e participações especiais, então uma única faixa pode carregar três ou quatro titulares de direitos, cada um precisando de uma divisão transparente.
  • O mix de DSPs é doméstico e plural. A Pro-Música contou seis plataformas porque o público brasileiro realmente se espalha entre YouTube, Deezer e Amazon Music, não apenas o Spotify.

DDEX significa Digital Data Exchange, o padrão de metadados que as DSPs usam para ingerir lançamentos. Uma distribuidora que entrega nativamente em DDEX, lida com o excesso de versões ao vivo sem gerar duplicatas e paga as divisões entre múltiplos artistas de forma limpa está fazendo o trabalho que um lançamento sertanejo de fato exige.

O recado para os castings brasileiros

Se o seu catálogo é sertanejo ou pagode, o discurso de exportação que a maioria das distribuidoras ligadas às majors repete é ruído. Seu dinheiro está no mercado interno, em seis DSPs, em gravações ao vivo com divisões complexas.

A InterSpace Distribution foi construída para esse formato: entrega DDEX para todo o mix de DSPs brasileiras, metadados por gravação que sobrevivem às versões ao vivo e pagamentos de splits rastreados até o centavo. A questão não é alcance por alcance. É receber corretamente nas plataformas que o seu público já usa.

Artistas e selos independentes brasileiros já superam a média global dos independentes em cerca de 50% no Spotify. A infraestrutura só precisa acompanhar a forma como a música é feita de verdade.

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