A dupla de produtores etíope-queniana JUA lançou ‘Hadandawa’, um single que bebe da música e da resiliência cultural do povo Hadandawa, o maior subgrupo da comunidade Beja espalhada entre Sudão, Eritreia e Egito. A faixa é a segunda amostra do álbum CHIKKA, que está por vir, depois do single de estreia ‘Mass High’.
Produzido pelos integrantes do JUA, ISAT IRAT (Guta Wakuma Chimsa) e MR. LU*, o álbum vem sendo gestado há dois anos e meio. Ele explora as raízes musicais interligadas da África Oriental por meio da produção eletrônica contemporânea.
‘Hadandawa’ homenageia um grupo nômade pastoril com uma longa história nos desertos e nas montanhas do Mar Vermelho. Sua identidade cultural se expressa por meio de uma esgrima característica, do artesanato e de movimentos expressivos dos ombros, do peito e do pescoço.
“‘Hadandawa’ é dedicada aos nossos irmãos e irmãs Hadandawa e a toda a comunidade Beja, cuja cultura se estende pelo Sudão, Eritreia e Egito. O orgulho inabalável que têm de sua identidade continua a inspirar o resto da África Oriental”, declarou a dupla em comunicado.
O JUA também se dirigiu ao povo sudanês deslocado pelo conflito: “Aos nossos irmãos e irmãs do Sudão, espalhados pelo mundo nestes tempos difíceis, esperamos que este ritmo os faça lembrar de casa. Assim como o vento não deixa pegadas, mas jamais esquece o caminho, o espírito de um povo pode viajar para longe sem nunca se esquecer de onde veio. Que chegue o dia em que todos os caminhos os conduzam de volta ao lar.”
O single sucede ‘Mass High’, que traçava conexões musicais entre o povo Amhara das terras altas da Etiópia e as comunidades Maasai do Quênia e da Tanzânia. Com CHIKKA, o JUA quer lançar luz sobre tradições musicais menos conhecidas da África Oriental e apresentá-las a públicos mais amplos.
A dupla se formou em Nairóbi, onde o produtor e pesquisador etíope ISAT IRAT e o produtor queniano MR. LU* começaram a investigar os vínculos rítmicos que percorrem a música da região. Esse trabalho evoluiu para o CHIKKA, primeiro lançamento emblemático do Misrak Studio, um polo de inovação musical da África Oriental criado em Nairóbi em 2024.
No centro da missão do Misrak Studio está a DARAJA, uma plataforma cujo nome significa “ponte” em suaíli. Ela reúne artistas, produtores e pesquisadores para examinar a herança musical compartilhada da África Oriental e desenvolver novas abordagens criativas.
CHIKKA está previsto como um álbum de dez faixas com a participação de mais de 30 artistas de sete países. O projeto busca conectar as tradições rítmicas comuns em compasso 6/8 da região e moldá-las em uma sonoridade contemporânea da África Oriental.