Exportações de álbuns de K-pop ultrapassam US$ 300 milhões pela primeira vez. No mercado interno, os CDs não estão vendendo.

As exportações de álbuns de K-pop atingiram um recorde de US$ 301,7 milhões em 2025, alta de 3,4%, mesmo com a queda nas vendas domésticas de álbuns para 93,5 milhões de unidades, ante 120 milhões em 2023. O Japão ainda lidera, a China retomou o segundo lugar, e o crescimento é totalmente externo. O que isso significa para os artistas coreanos independentes e seus distribuidores.
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O número que quebrou um recorde

As exportações de álbuns de K-pop da Coreia do Sul ultrapassaram uma marca inédita no ano passado. As exportações de álbuns de K-pop atingiram US$ 301,7 milhões em 2025, a primeira vez que o valor supera os US$ 300 milhões, de acordo com dados do Serviço de Alfândega da Coreia reportados pelo Korea Times. Isso representa um aumento de 3,4% em relação ao ano anterior.

O recorde veio em um ano em que os próprios coreanos compraram menos álbuns.

O Circle Chart, rastreador oficial de vendas do país, registrou 93,5 milhões de unidades de álbuns em 2025. Em 2023, o número era de aproximadamente 120 milhões. Isso faz de 2025 o segundo ano consecutivo de queda no mercado interno, segundo dados reportados pelo Korea JoongAng Daily.

Para onde vai o dinheiro das exportações

O total das exportações está concentrado em três mercados, e o ranking mudou em 2025.

  • O Japão comprou US$ 80,6 milhões em álbuns de K-pop, ainda o maior comprador, embora com queda de 10,2% em relação ao ano anterior.
  • A China comprou US$ 69,7 milhões, retomando o segundo lugar dos Estados Unidos pela primeira vez desde 2022.
  • Os Estados Unidos compraram US$ 64 milhões, caindo para o terceiro lugar.

O salto da China ocorre após um degelo nas trocas culturais entre Seul e Pequim, que estavam restritas desde 2016. O sinal não passou despercebido pelas grandes gravadoras.

Um mercado interno encolhendo

A IFPI, Federação Internacional da Indústria Fonográfica, entidade que mede a receita global de música gravada, classifica a Coreia do Sul como o sétimo maior mercado do mundo. No entanto, seu relatório global aponta que a receita de música gravada no país caiu 5,7% em 2024, puxada exatamente por essa retração nas vendas físicas.

Choi Kwang-ho, secretário-geral da Associação da Indústria de Conteúdo Musical da Coreia, disse ao Korea Times que o K-pop manteve seu apelo global no ano passado, impulsionado por títulos como a trilha sonora de “KPop Demon Hunters”, enquanto o mercado local foi prejudicado por preocupações ambientais com CDs de plástico e uma redução no marketing voltado para fãs.

Ele também destacou uma lacuna cada vez maior entre os artistas de sucesso internacional e todos os outros, uma divisão que o pequeno mercado doméstico só faz ampliar.

A versão digital da mesma história

A máquina de exportação física pertence às grandes gravadoras. HYBE, SM, JYP e YG movimentam pacotes de álbuns recheados de photocards que os artistas independentes não conseguem replicar. A Tencent Music acaba de concordar em comprar toda a participação da HYBE na SM Entertainment por quase US$ 180 milhões, segundo o Music Business Worldwide, um indicador claro de onde está o poder.

Para todos os outros, os grupos independentes da quarta geração e os solistas de quarto que Choi descreve como ficando para trás, o equivalente a um mercado de exportação é uma presença digital nesses mesmos três países.

O problema é que os três principais mercados de exportação correspondem às três plataformas mais difíceis de acessar.

  • O streaming na China passa por NetEase Cloud Music, QQ Music e KuGou, atrás de barreiras de licenciamento que a maioria dos distribuidores ocidentais não atravessa.
  • O Japão funciona com Line Music e mídia física, com o Spotify como ator minoritário.
  • Apenas os Estados Unidos se alinham diretamente com Spotify e Apple Music.

DSP significa provedor de serviços digitais, as plataformas que pagam royalties de streaming.

O que os artistas coreanos independentes precisam saber

Um distribuidor que entrega apenas para Spotify e Apple Music está alcançando só um dos seus três maiores públicos no exterior. Os outros dois, que estão crescendo, exigem entrega para NetEase Cloud Music, QQ Music e KKBOX, além da Line Music no Japão.

DDEX é o padrão de metadados que essas plataformas asiáticas exigem para ingestão correta e pagamento preciso de royalties. Se os metadados não estiverem no formato certo, as execuções podem nem ser registradas ou jamais gerar receita.

Essa é a lacuna que um distribuidor com foco regional resolve. A InterSpace Distribution entrega nativamente em DDEX para as plataformas chinesas e japonesas que os distribuidores voltados apenas para grandes gravadoras costumam ignorar, com divisões de receita por território visíveis na carteira. Para um artista coreano cujo crescimento é totalmente internacional, essa é a diferença entre aparecer nas paradas no exterior e só descobrir meses depois que sua música estava rodando.

O título de US$ 300 milhões pertence às grandes gravadoras e seus CDs. A versão digital dessa história de exportação ainda está em aberto, e não exige photocard.

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