Angola paga compositores 3 kwanzas por execução através de um único órgão. O dinheiro do streaming chega por outro lado.

Os royalties musicais de Angola passam por um único órgão, a AUDAC, que paga aos compositores 3 kwanzas por execução e retém 30% das arrecadações. O dinheiro do streaming nunca passa por lá. O Apple Music destacou Luanda, a ONErpm abriu um escritório na cidade, e os artistas angolanos precisam acertar suas divisões e entregas.
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O Apple Music escolheu dez cidades africanas para sua programação do Mês da África de 2026. Uma delas foi Luanda, e a escolha diz mais sobre o rumo da música angolana do que qualquer posição nas paradas.

A playlist Sounds of Luanda, conforme noticiado pelo Music In Africa, foi curada pelo produtor Teo No Beat, pela cantora Anna Joyce e pelo rapper Prodígio, com uma mixagem complementar do DJ Malvado com AfroKillerz, Djeff e DJ Waldo. Semba, kizomba, kuduro e tarraxinha, embalados para uma audiência global.

Enquanto isso, em casa, um compositor angolano ganha 3 kwanzas quando uma rádio ou televisão toca sua música. Isso é bem menos que um centavo de dólar.

Angola centraliza tudo em um único órgão

Angola consolidou a gestão coletiva em 2023. A AUDAC, Associação Única de Direitos Autorais e Conexos, foi criada em fevereiro daquele ano e recebeu seu certificado de funcionamento em maio, tornando-se a única entidade de arrecadação do país para direitos autorais e conexos.

As regras publicadas, segundo o Expansão:

  • Os titulares de direitos recebem 70% das arrecadações. A AUDAC retém 30%.
  • O valor mínimo de execução é de 3 Kz por transmissão em rádio e televisão.
  • O streaming é tarifado em 9% do valor pago pelo assinante.
  • As obras devem ser registradas no SENADIAC, o registro nacional de direitos autorais.
  • O autor também deve estar filiado a uma associação de gestão coletiva, seja a SADIA ou a UNAC-SA, que estão sob a AUDAC.

A tabela de tarifas gerou reação imediata quando foi divulgada. O OPaís noticiou protestos de músicos a partir de maio de 2023, com execuções fora do horário nobre, entre meia-noite e 4h, valendo 3 kwanzas, e faixas no horário nobre chegando a 15 ou 70 kwanzas, dependendo do alcance da emissora. O diretor da AUDAC, Lucioval Gama, defendeu o modelo com base no volume. O compositor Dom Caetano classificou a medida como um passo na direção certa.

Nada disso é o dinheiro do streaming

Essa é a parte que os artistas angolanos mais confundem, e não é exclusividade de Angola. A AUDAC cuida da execução pública e da radiodifusão. É a via dos compositores e dos direitos conexos.

A receita das suas gravações master no Spotify, Apple Music, YouTube, Boomplay e Audiomack não passa pelo SENADIAC nem pela AUDAC. Ela chega por meio de quem entrega seu catálogo a essas plataformas.

A própria história de Angola é instrutiva. A SADIA licenciou o serviço de streaming Wena Music, desenvolvido pela Kiandastream e lançado em 2022 em dez mercados africanos, incluindo Angola, Moçambique, Cabo Verde e Namíbia. A SADIA já havia assinado acordos digitais cobrindo TikTok, Facebook, Instagram, Deezer, Triller, Audiomack e YouTube, conforme noticiou a Forbes África Lusófona. Licenciamento útil. Ainda assim, é o lado editorial do balanço.

As distribuidoras já se mexeram

A ONErpm nomeou Nuno Rocha como Head of Business Development para Portugal, territórios africanos lusófonos e francófonos e MENA, e anunciou um escritório em Luanda, conforme noticiado pelo Music Business Worldwide. Sua equipe em Angola trabalha em conjunto com a equipe de marketing do Brasil, tratando os dois como um único circuito.

Essa é a verdadeira leitura sobre Luanda. Cerca de 300 milhões de falantes de português, e Luanda é a maior cidade lusófona fora do Brasil. Um lançamento angolano é um lançamento no Brasil, em Portugal e em Moçambique antes de ser qualquer outra coisa.

O que um artista ou selo angolano deve resolver neste trimestre

  • Registre as obras no SENADIAC e filie-se à SADIA ou à UNAC-SA. Essa é a única via para acessar os 70% arrecadados, e é separada do seu contrato de distribuição.
  • Verifique se sua distribuidora realmente entrega para Boomplay e Audiomack, não apenas para as quatro globais. A audiência angolana e da diáspora se divide entre ambas.
  • Defina as divisões de compositor e produtor na entrega, não depois que o dinheiro chegar. Faixas de kuduro e afro house com quatro ou cinco colaboradores creditados são onde começam as disputas de divisão.
  • Trate Brasil e Portugal como mercados primários no seu plano de lançamento, não como excedente.
  • Mantenha os metadados de artista e território limpos. As equipes editoriais do Apple Music e do Spotify não conseguem promover o que não conseguem identificar como angolano.

O sistema de arrecadação de Angola é jovem, centralizado e paga valores reais, ainda que modestos. O lado do streaming é onde está o crescimento, e ele depende da qualidade da entrega e da precisão das divisões. Essa lacuna é exatamente o que uma distribuidora deve preencher.

Leitura relacionada: Uma auditoria diz que a sociedade de direitos autorais do Congo perdeu 25 milhões de dólares, As paradas locais do Bongo Flava funcionam no Boomplay, e nosso guia de 2026 para distribuição musical na África.

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