Brasil se torna o 8º maior mercado musical do mundo, com crescimento de 14,1%. Streaming representa 86%.

O Brasil agora é o 8º maior mercado musical do mundo após um crescimento de 14,1% em 2025, segundo a IFPI, com o streaming respondendo por 86% da receita e o funk brasileiro gerando cerca de metade de sua receita no exterior. O ranking premia o país. O roteamento premia quem configura a distribuição corretamente.
Brazil Just Became the World’s No. 8 Music Market, Up 14.1%. Streaming Is 86% of It. Brazil Just Became the World’s No. 8 Music Market, Up 14.1%. Streaming Is 86% of It.

O Brasil subiu um degrau. O Relatório Global de Música da IFPI 2026 apontou que a receita da música gravada no país cresceu 14,1% em 2025, o suficiente para torná-lo o oitavo maior mercado do mundo. IFPI significa International Federation of the Phonographic Industry, o órgão que contabiliza a receita reportada pelas gravadoras em todo o mundo.

Essa taxa de crescimento é mais que o dobro da média global. A receita mundial de música gravada cresceu 6,4% para US$ 31,7 bilhões, de acordo com a leitura do relatório pelo Music Business Worldwide. O Brasil, e a América Latina em geral, ficaram bem acima disso.

Os números por trás do ranking

A América Latina cresceu 17,1% em 2025, seu décimo sexto ano consecutivo de expansão, e o streaming representou 88,1% da receita de música gravada na região, segundo a IFPI. Nenhuma outra região tem uma sequência como essa.

Dentro do Brasil, o cenário é ainda mais concentrado. A Pro-Musica Brasil, entidade que representa as gravadoras do país, informa que o streaming sob demanda já responde por mais de 86% do mercado musical doméstico. Formatos físicos e downloads são residuais.

A MIDiA Research acrescenta o lado dos assinantes. Em sua análise de assinaturas do quarto trimestre de 2025, as adições líquidas na América Latina atingiram um pico recorde, com o Brasil apontado como força motriz. O mercado não é apenas grande. Ele ainda está adicionando usuários pagantes mais rápido do que a maioria do mundo.

O que está sendo realmente transmitido

O motor do gênero por trás do ranking é o funk. O funk brasileiro foi o gênero de crescimento mais rápido no Spotify a ultrapassar US$ 100 milhões em pagamentos anuais, e cerca de metade dos streams de um artista de funk brasileiro já vêm de fora do país, com base nos dados do próprio Spotify citados na cobertura da ascensão do gênero.

O mapa de exportação é específico. O Spotify tem destacado repetidamente a escuta sustentada de funk em Portugal, Espanha, França, Itália, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Argentina. Não se trata de um boom apenas doméstico que a IFPI capturou por acaso. É um gênero consumido em quatro continentes.

Aqui está a tensão. Um mercado pode ser o oitavo maior do mundo e ainda assim canalizar a maior parte do dinheiro de seus artistas revelação por contas, moedas e regras fiscais estrangeiras. Essa lacuna é um problema de distribuição, não de talento.

Por que o roteamento importa para catálogos independentes

Para um artista independente que lança suas próprias músicas no Rio ou em Recife, a oitava posição no ranking é manchete. O pagamento é uma planilha. Depende de quais DSPs realmente recebem o lançamento e se a divisão dos direitos sobrevive ao percurso.

DSP significa provedor de serviços digitais, ou seja, as próprias plataformas de streaming. No Brasil, essa lista vai além do Spotify e inclui YouTube, Deezer, Amazon Music, Apple Music e, para catálogos mais antigos, players locais. Perca uma delas e uma fatia dos 86% da receita de streaming nunca chega.

Três fatores determinam se o crescimento brasileiro chega às contas bancárias brasileiras:

  • Cobertura completa de DSPs, incluindo as plataformas que um distribuidor focado em majors trata como opcionais.
  • Entrega de metadados limpos, para que um disco de funk que aparece nas paradas de Lisboa e Buenos Aires seja atribuído aos titulares de direitos corretos.
  • Divisões transparentes, para que uma faixa com várias participações pague todos os colaboradores sem uma reconciliação de três meses.

A leitura da distribuição

DDEX, sigla para Digital Data Exchange, é o padrão de metadados que mantém um lançamento consistente da entrega ao pagamento. Quando um single de funk brasileiro cruza oito fronteiras em um mês, a entrega nativa em DDEX é a diferença entre um demonstrativo de royalties limpo e uma fila de disputas.

A InterSpace Distribution foi construída exatamente para esse tipo de carreira: um mercado doméstico que cresce rapidamente e uma presença de exportação que já é global desde o primeiro dia. Divisões transparentes, no nível da carteira, significam que os colaboradores de um disco de funk veem sua parte assim que os streams são contabilizados, não três meses depois.

A oitava posição do Brasil no ranking é real e duradoura. A pergunta em aberto para cada artista independente dentro dele é se sua distribuição acompanha um catálogo que agora gera metade de sua receita no exterior. O ranking premia o país. O roteamento premia quem configurou a distribuição corretamente.

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