A Recording Industry of Kenya (RIKE) pediu ao Kenya Copyright Board (KECOBO) que observe o devido processo legal em sua supervisão das organizações de gestão coletiva (CMOs), após a decisão do órgão regulador de suspender a licença de funcionamento da Kenya Association of Music Producers (KAMP).
A suspensão, anunciada em um aviso público em 1º de julho de 2026, interrompe as operações da KAMP por 90 dias. A RIKE, que representa produtores fonográficos, gravadoras e artistas independentes, alertou que a medida pode prejudicar a administração dos direitos de gravação sonora detidos por titulares de direitos locais e internacionais cujas obras são geridas pela KAMP.
Transferência de autoridade de licenciamento questionada
A RIKE também contestou a diretriz do KECOBO de transferir as funções de licenciamento da KAMP para outra organização de gestão coletiva. A associação argumentou que nem a Lei de Direitos Autorais nem o Regulamento de Direitos Autorais de 2020 conferem ao órgão regulador o poder de reatribuir mandatos que os titulares de direitos concederam voluntariamente às organizações de sua escolha. Tais mandatos, segundo a RIKE, decorrem de relações contratuais e são fundamentais para a gestão de direitos de propriedade intelectual privados.
Transparência e Intervenções Passadas
Embora reconheça o papel de supervisão estatutária do KECOBO, a RIKE insistiu que as intervenções regulatórias devem cumprir a lei e seguir o devido processo legal, incluindo um engajamento justo e imparcial com as CMOs afetadas. A associação criticou o KECOBO por levantar publicamente alegações de má conduta financeira sem, segundo ela, apresentá-las primeiro diretamente à KAMP, e pediu maior transparência e objetividade.
A RIKE também apontou ações regulatórias anteriores envolvendo a KAMP, alegando que a licença da organização havia sido retirada por motivos questionáveis e que a administração dos direitos de gravação sonora havia sido posteriormente transferida para uma CMO que, segundo a associação, carecia de representação e mandatos suficientes.
Queda de Receita e Direitos Constitucionais
A associação afirmou que a prolongada intervenção regulatória contribuiu para a queda das receitas de direitos de execução e para a redução das distribuições de royalties para produtores fonográficos e artistas, embora não tenha fornecido números que comprovem a afirmação. A RIKE também manifestou preocupação com medidas regulatórias que descreveu como tentativas de impor um arranjo de ‘Consentimento’ por meio de mapeamento tarifário, o que poderia prejudicar os interesses dos proprietários de gravações sonoras.
A RIKE sustentou que a KAMP deve poder administrar direitos em áreas como radiodifusão, comunicação ao público e execução pública sem ser compelida a arranjos que possam comprometer os direitos de gravação sonora. Também pediu que quaisquer arranjos envolvendo a plataforma eCitizen garantam uma cooperação justa, transparente e igualitária entre as CMOs, com salvaguardas para todos os titulares de direitos musicais.
Reiterando que o direito autoral é fundamentalmente um direito privado, a RIKE argumentou que os titulares de direitos devem manter a capacidade de determinar como e por quem seus direitos são administrados coletivamente. A interferência nessa autonomia, disse, levanta questões sobre a proteção constitucional da propriedade intelectual nos termos do Artigo 40 da Constituição do Quênia de 2010 e pode gerar incerteza para a indústria fonográfica e para a economia criativa em geral.
“Os titulares de direitos merecem segurança regulatória para garantir que as CMOs gerenciem seus direitos de forma eficaz e eficiente, e não interrupções recorrentes que prejudicam a arrecadação e a distribuição de royalties, causando, em última análise, prejuízo às próprias pessoas que o sistema de direitos autorais existe para proteger”, afirmou a RIKE.
A associação instou o KECOBO a reconsiderar a diretriz que afeta a KAMP e a garantir que qualquer ação regulatória esteja fundamentada na Lei de Direitos Autorais e no Regulamento de Direitos Autorais de 2020. A RIKE afirmou que continua disposta a dialogar com o governo, as CMOs e outras partes interessadas do setor para apoiar um sistema de gestão coletiva que cumpra a lei queniana, reflita as práticas internacionais e seja transparente e responsável perante os titulares de direitos.