Tribunal de Direitos Autorais do Quênia barra tentativa da KECOBO de cassar licença da KAMP

O Tribunal de Direitos Autorais do Quênia concedeu liminares que barram a suspensão da licença de funcionamento da KAMP e preservam o fluxo de royalties para intérpretes e produtores enquanto o recurso da entidade de gestão coletiva é julgado.
The Kenya Copyright Tribunal in Nairobi, where interim orders were issued halting the suspension of the KAMP collective management licence. The Kenya Copyright Tribunal in Nairobi, where interim orders were issued halting the suspension of the KAMP collective management licence.

O Tribunal de Direitos Autorais do Quênia concedeu medidas liminares que impedem o Kenya Copyright Board (KECOBO) de cassar a licença de funcionamento da Kenya Association of Music Producers (KAMP), permitindo que a entidade de gestão coletiva siga arrecadando e distribuindo royalties enquanto o recurso é julgado.

A intervenção do Tribunal

A decisão, assinada pela presidente do Tribunal, a magistrada Liz Lenjo, permite que a KAMP mantenha a licença e continue exercendo suas atribuições enquanto o mérito da disputa é analisado.

A KAMP é responsável por licenciar o uso público de fonogramas e obras audiovisuais, arrecadar royalties e repassar os valores a intérpretes e produtores.

Titulares de direitos manifestam preocupação

Vários titulares de direitos que pediram para ingressar no processo afirmaram ao Tribunal que suspender a licença da KAMP colocaria em risco o sustento de intérpretes e produtores que dependem da renda de royalties.

Em declarações juramentadas apresentadas ao Tribunal, os titulares afirmaram que a KAMP arrecadou e distribuiu royalties de forma consistente ao longo dos anos e manteve o diálogo com os associados por meio de assembleias gerais ordinárias e de outros mecanismos de governança. Eles apontaram preocupação com a incerteza em torno da arrecadação e da distribuição futuras de royalties, do registro e da gestão de novas obras e dos pagamentos de royalties tanto no país quanto no exterior.

Os titulares de direitos disseram apoiar a regulação dentro da lei e a prestação de contas das entidades de gestão coletiva, mas argumentaram que as medidas regulatórias não deveriam interromper sem necessidade os pagamentos devidos aos criadores.

Articulação com a Presidência

A decisão do Tribunal vem depois de uma reunião realizada na semana passada entre representantes da indústria fonográfica queniana e o presidente William Ruto para tratar dos desafios do setor.

Segundo a KAMP, o presidente reafirmou o compromisso do governo com o fortalecimento da economia criativa do Quênia e pediu que as questões envolvendo KAMP e KECOBO sejam resolvidas por meio de diálogo construtivo, preservando os interesses dos titulares de direitos e a confiança no sistema de direitos autorais do país.

A resposta da direção da KAMP

A presidente da KAMP, Angela Ndambuki, classificou a decisão como um marco para o setor criativo.

“A decisão de hoje é um marco importante para o setor criativo do Quênia. Ela protege os direitos e o sustento de milhares de intérpretes e produtores e reafirma que decisões regulatórias precisam ser tomadas dentro da lei e com respeito ao devido processo legal”, disse.

Ndambuki acrescentou que a entidade se sente encorajada pelo compromisso do presidente em resolver a disputa e fortalecer o marco de direitos autorais do Quênia.

“A KAMP segue comprometida com transparência, prestação de contas, diálogo construtivo e com a arrecadação eficiente e a distribuição pontual de royalties em benefício dos nossos associados e do setor criativo como um todo”, afirmou.

A KAMP informou que manterá as atividades de licenciamento e arrecadação de royalties enquanto o recurso estiver pendente e confirmou que cumprirá as determinações do Tribunal, deixando de comentar o mérito da questão até que o caso seja julgado.

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