Sertanejo não é um nicho no Brasil. É o mainstream. As dez maiores músicas de rádio do país em 2025 pertenciam ao sertanejo e seu desdobramento mais jovem, o agronejo, e 30 das 50 músicas mais tocadas no streaming no Brasil em 2024 vieram da mesma família, segundo The Dial.
Esse domínio está inserido em um mercado que acaba de crescer. A receita da música gravada brasileira atingiu R$ 3,958 bilhões em 2025, um aumento de 14,1% em relação ao ano anterior, levando o Brasil ao 8º maior mercado do mundo, segundo dados da Pro-Musica Brasil divulgados pela Rolling Stone Brasil.
Aqui está a parte que a maioria das distribuidoras ignora. O gênero que domina esse mercado não vive onde o manual de exportação supõe que viva.
Agronejo é uma história de gravadoras independentes
O agronejo mescla o sertanejo tradicional com funk, rap e produção eletrônica, e vende o orgulho do agronegócio rural para um público jovem. Sua estrela revelação, Ana Castela, tem mais de 15 milhões de ouvintes mensais no Spotify e começou com um vídeo no TikTok em 2020.
A infraestrutura por trás dela não é de uma grande gravadora. É a AgroPlay, um selo independente cofundado pela dupla Leo e Raphael, cuja faixa “Os Menino da Pecuaria” ultrapassou 134 milhões de visualizações no YouTube. Esse é o perfil da cena: elencos independentes, descoberta viral baseada em vídeo e catálogos construídos fora do pipeline tradicional das grandes gravadoras.
O mapa das plataformas digitais não coincide com o mapa de exportação
DSP significa provedor de serviços digitais, as plataformas de streaming que pagam royalties. Para a maioria das distribuidoras globais, o plano de entrega no Brasil é Spotify em primeiro lugar e todo o resto como uma reflexão tardia.
O consumo brasileiro não coopera com essa suposição. Duas plataformas têm um peso desproporcional para o sertanejo e o agronejo:
- YouTube. A descoberta do gênero é nativa do vídeo. Contagens de visualizações de nove dígitos em faixas como “Os Menino da Pecuaria” são a regra, não a exceção, e o áudio muitas vezes é ouvido no YouTube antes de qualquer serviço de assinatura.
- Deezer. O Brasil é o segundo maior mercado do Deezer no mundo, onde a plataforma francesa tem cerca de um sexto da base de streaming, segundo o Business of Apps. Na maioria dos outros países, o Deezer é irrelevante. No Brasil, é um canal que você não pode ignorar.
A receita de assinaturas de streaming sozinha atingiu R$ 3,4 bilhões em 2025, um aumento de 13,2%. Uma distribuidora que envia um lançamento sertanejo para Spotify e Apple Music e para por aí está deixando na mesa a base brasileira do Deezer e a receita do YouTube Content ID.
O que isso significa para um selo sertanejo
A lição para um elenco independente brasileiro é concreta. O alcance nesse gênero não é um jogo de plataforma única, e o dinheiro segue os fãs para o vídeo e para o Deezer.
Três coisas para verificar com qualquer distribuidora antes de assinar um catálogo sertanejo ou agronejo:
- Ela entrega ao Deezer como parceiro de primeira linha, não como uma opção secundária, dada a escala da plataforma no Brasil.
- Ela opera o YouTube Content ID para que os uploads de áudio e vídeos gerados por usuários realmente paguem ao titular dos direitos, em vez de vazar.
- Ela mostra a divisão por plataforma e por território para que você possa ver o que Deezer Brasil e YouTube estão gerando em comparação com o Spotify, em vez de um número consolidado.
DDEX significa Digital Data Exchange, o padrão de metadados que as plataformas digitais usam para ingerir lançamentos de forma limpa. Um pipeline nativo em DDEX é o que permite a uma distribuidora enviar o mesmo single de agronejo para Spotify, Deezer, YouTube e Apple Music com créditos consistentes e sem redigitação manual.
A InterSpace Distribution trata Deezer e YouTube como trilhos centrais no Brasil, não como extras, e reporta royalties por plataforma e por território. Para um gênero em que a maior audiência assiste no YouTube e paga no Deezer, essa é a diferença entre um relatório de royalties completo e um parcial.
O sertanejo já conquistou o Brasil. A questão em aberto é se a distribuição por trás dele coleta em todos os lugares onde os fãs realmente estão.