IFPI define regras globais de paradas para música feita com IA generativa

A IFPI apresentou um marco que define em quais casos gravações feitas com inteligência artificial generativa podem concorrer às paradas musicais oficiais.
IFPI headquarters sign with text introducing eligibility principles for generative AI music in official charts. IFPI headquarters sign with text introducing eligibility principles for generative AI music in official charts.

A Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) publicou três princípios que vão determinar se gravações criadas com inteligência artificial generativa podem entrar nas paradas musicais oficiais. Anunciado em 30 de julho, o marco pretende separar a música conduzida por pessoas das faixas totalmente sintéticas e barrar títulos ligados à manipulação de streams.

Critérios de elegibilidade

Pelas novas regras, uma gravação feita com apoio de IA só entra nas paradas se três condições forem atendidas. O serviço de IA generativa usado precisa ser lícito e devidamente autorizado, a gravação precisa ser criada substancialmente por pessoas e a faixa não pode estar associada a nenhuma forma de manipulação de streams ou de paradas.

A IFPI afirmou que os princípios foram desenvolvidos em consulta com suas empresas associadas no mundo todo. A ideia é oferecer uma referência comum sobre gravações feitas com apoio de IA para quem compila as paradas oficiais, para entidades do setor e para os demais envolvidos.

Primeira etapa de aplicação

A entidade vai aplicar o marco primeiro às paradas oficiais que administra diretamente na América Latina, no Oriente Médio, na África e no Sudeste Asiático. Também vai atuar por meio de sua rede de grupos nacionais para estimular a adoção por mais de 20 outras organizações de paradas oficiais pelo mundo.

A medida vem depois de diretrizes semelhantes anunciadas no início de julho por uma coalizão de grandes empresas de música, entre elas Sony Music, Universal Music Group e Warner Music Group.

O que diz a direção

A diretora-executiva da IFPI, Victoria Oakley, disse que as paradas devem continuar refletindo a arte humana. “As paradas musicais oficiais fazem mais do que medir vendas: elas celebram o talento e o esforço humanos”, afirmou. “Como fãs, queremos reconhecer as conquistas dos artistas que fazem a música que amamos, e é justo que as paradas sigam valorizando a música que tem a criatividade humana no centro.”

Oakley reconheceu que a IA devidamente licenciada abre oportunidades criativas. “Quando é licenciada e autorizada da forma correta, a IA oferece oportunidades empolgantes para ampliar o repertório de ferramentas criativas”, disse. “Esses princípios abrem um caminho para essa inovação e, ao mesmo tempo, garantem que não vamos incluir faixas geradas por sistemas que exploram os artistas e a música deles.”

Ela acrescentou que o setor musical precisa assumir a dianteira à medida que a tecnologia avança. “A IA está evoluindo muito rápido, e é fundamental que a comunidade da música lidere o processo para garantir que tecnologia e arte humana cresçam juntas, de forma responsável.”

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